No meu artigo anterior, eu procurei organizar uma distinção que considero importante: o que o Ativo Verde é e o que ele não é. Faço essa retomada de propósito, porque, depois que o conceito começa a ficar mais claro, surge uma outra pergunta, que para mim é ainda mais importante: o que faz o Ativo Verde se sustentar com seriedade dentro da realidade de uma empresa?
Eu tenho insistido nesse ponto porque essa discussão não nasceu no campo da abstração. Ela nasceu da observação de um problema concreto. Durante muito tempo, nós assistimos a um índice alto de insucesso em parte das restaurações, ao mesmo tempo em que muitos plantios aconteciam de forma fragmentada, em áreas pequenas, com pouca capacidade de ganhar escala e permanência. Quando esse cenário se repete, o aprendizado que fica é simples: plantar, por si só, não resolve. O que resolve é a construção de um processo que tenha direção, critério, acompanhamento e capacidade de permanecer de pé ao longo do tempo.
Essa leitura foi uma das bases para a proposta que começou a ser construída em 2019 e que, em 2020, já aparecia nas primeiras áreas implantadas.
Foi nesse contexto que o Ativo Verde passou a ganhar forma dentro do Programa Nascentes, com a Resolução SIMA 48/2020, publicada pelo Estado de São Paulo. A própria norma incorporou o Ativo Verde como um dos instrumentos de implementação do programa. Na prática, isso deu base institucional para um modelo em que projetos aprovados podem ser implantados antes da contratação e comercializados com a restauração em andamento ou já concluída. Isso muda bastante a conversa, porque reduz parte da incerteza típica das etapas iniciais, amplia a previsibilidade para quem tem obrigação ambiental a cumprir e permite avaliar com mais clareza a qualidade do que está sendo entregue.
É exatamente aqui que, na minha visão, muitas empresas ainda se confundem. O tema ambiental ganha força quando deixa de ocupar apenas um espaço de intenção e passa a entrar na lógica de decisão da empresa. E isso acontece de forma muito concreta: quando existe um objetivo claro, quando as responsabilidades estão definidas, quando o acompanhamento não é tratado como detalhe e quando a governança consegue atravessar áreas diferentes da organização. Sem isso, o risco é produzir uma ação que até gera percepção positiva no curto prazo, mas não constrói confiança suficiente para se sustentar no tempo.
E quando eu falo em confiança, eu não estou falando de uma ideia vaga. Eu estou falando da confiança que nasce quando o reflorestamento é planejado de forma adequada, executado com responsabilidade técnica, monitorado com seriedade e conectado ao território em que acontece. Estou falando, também, da confiança de quem precisa olhar para esse trabalho e entender que ali existe método, lastro e capacidade real de entrega.
Para as empresas, a discussão talvez já não seja mais se o tema ambiental deve entrar na pauta. A discussão passa a ser outra: com que profundidade, com que compromisso e com que capacidade real de sustentar a entrega ao longo do tempo.
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Fontes e leituras complementares:
- [artigo 1 do antonio]
- https://semil.sp.gov.br/legislacao/2022/07/resolucao-sima-048-20
- https://semil.sp.gov.br/sma/programanascentes
- https://semil.sp.gov.br/2020/08/ativo-verde-mais-um-instrumento-para-a-restauracao-ecologica-do-programa-nascentes