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Reflorestamento: mata nativa ou florestas plantadas?

31/10/2018

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O reflorestamento é uma atividade essencial nos dias atuais, pois auxilia na captação de CO2, na recomposição da biodiversidade, entre muitos outros que a floresta oferece.

Mas o que plantar? Existem dois tipos principais de reflorestamento: o de fins comerciais (eucalipto e pinus) e o de fins ambientais (vegetação nativa).

Eucalipto x vegetação nativa

A plantação de eucalipto é o tipo mais popular de reflorestamento devido ao seu rápido crescimento e às utilidades que proporciona (colheita a partir de cerca de sete anos) - cerca de 70% das florestas plantadas são dessa família. A partir dos componentes da árvore, é possível fazer móveis, carvão vegetal, materiais para construção civil, papel e celulose, essências, entre outros. Mas sempre houve controvérsias acerca dos benefícios da monocultura de eucalipto e seu impacto no meio ambiente.

Para crescer rápido, o eucalipto precisa de energia, que é obtida por meio da fotossíntese. Portanto, ele absorve uma boa quantidade de gás carbônico em curto e médio prazo. Porém, em longo prazo, as florestas nativas são mais eficientes na captação de CO2 que as florestas de eucalipto, que são colhidas em poucos anos. Já as árvores nativas são capazes de acumular mais carbono em sua biomassa de acordo com a idade da floresta.

Quanto mais rápido é o crescimento da planta, maior é seu consumo de água. Portanto, o reflorestamento de eucalipto plantado em regiões com baixos índices de chuva (menos de 400 mm/ano) podem ressecar o solo. As plantações devem estar em locais com grande altitude para não alcançarem o lençol freático, pois caso alcancem elas irão consumir muita água, podendo comprometer o fluxo hidrológico. A vegetação nativa, por sua vez, regula, protege e mantém o sistemas hídricos.

Outro aspecto é a quantidade de folhas do eucalipto que representa quase metade da folhagem de uma árvore nativa; portanto, há menos interceptação da chuva e mais água atinge o solo. Isso pode trazer dois efeitos: mais água disponível no solo, mais água no lençol freático; ou maior escoamento superficial da água, podendo acarretar em processos erosivos do solo.

As florestas plantadas, se manejadas corretamente, podem trazer benefícios, pois diminuem a pressão sobre a exploração de florestas nativas. Muitas empresas responsáveis pelas florestas plantadas possuem grandes áreas dedicadas a preservação de vegetação nativa.

Cada tipo de reflorestamento possui uma importância e função diferentes, o que torna difícil compará-los. As florestas plantadas possuem fins econômicos e diminuem a pressão sobre as florestas nativas, que por sua vez contribuem para a diversidade genética e para recompor os serviços ecossistêmicos .

Por que reflorestar com mata nativa é tão importante?

Apesar da destruição de florestas nativas ter diminuído nas últimas décadas, ela ainda é bastante significativa. Segundo o relatório da FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations), entre 2010 e 2015, cerca de 6,5 milhões de hectares se foram, e o Brasil foi o país que apresentou a maior taxa de perda de mata nativa.

 Enquanto o número de florestas plantadas aumenta, a área de floresta nativa diminui a cada ano no mundo:

1990: 96% de florestas nativas e 4% de florestas plantadas;

2005: 94% de florestas nativas e 6% de florestas plantadas;

2015: 93% de florestas nativas e 7% de florestas plantadas.

Há serviços ecossistêmicos que só as florestas nativas podem fornecer, por isso é tão importante preservar as florestas remanescentes e reflorestar áreas com espécies nativas sempre que possível. Essa prática pode ser incentivada com a comercialização de serviços ecossistêmicos, por meio do pagamento por serviços ambientais (PSA). Por exemplo: para uma empresa fabricante de água para consumo ter água constante de qualidade e economizar com tratamento, ela pode pagar por reflorestamento de matas ciliares ou pela proteção de unidades de conservação.

 

Fonte: Ecycle